quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Entre o céu e a terra

Na fila das compras fico a segurar minha caixa de chocolate, os produtos de limpesa e a ração do Ben, meu Golden Retriever. Mechendo em meus cachos dispersamente avisto no começo da fila um antigo amigo meu do colégio, o Carlos, faziamos diversos planos para o futuro, lembro até que no começo,quando cada um tomou seu rumo na universidade - eu estudando jornalismo e ele medicina- ainda nos batiamos pelos cantos da cidade e nos comprimentavamos, mas hoje ele me olha e simplismente vê aquele garoto que um dia foi seu colega do colégio.
Ainda na fila, em minha frente, vejo uma mulher com traços afrodescendentes segurando uma criança loira de olhos claros em seu colo, e de longe um homem branco acena para eles e ela diz para a criança: ´´Dá tchau para o papai, vai.``, atrás de mim escuto duas senhoras cochichando:´´Deve ser a empregada da família, nunca que um homem branco desse jeito casaria com uma negrinha``.
Parado ali já me aproximando do final da fila avisto uma criança bem gordinha segurando seu pacote de biscoito recheado de morango e uma mulher segurando sua mão, e de longe escuto murmuros: ´´Aquela alí é a separada, olha como ela cuida do filho, só alimenta a criança com porcarias, isso é que dá criar filho sem pai.``
Chegando a hora de passar as compras o homem que estava no caixa trabalhando registrou todos os produtos, no momento que entreguei meu cartão para pagar as compras ele me informou que não estava passando nenhum cartão. Olhando para o lado avisto um senhor impaciente, olhando para o relógio, e do nada começa a gritar:´´Seu bando de incompetente, eu estou aqui faz meia hora e ninguem concertou esse caixa para passar o cartão, e esse viado ai trabalhando na maior lerdesa.``, ele me olha esperando uma afirmação, mas viro meu rosto e olho para o ´´caixa``, ele olha para mim e eu enchergava em seus olhos a vergonha por tal humilhação, ele sai dali e desaparece, quase pedindo para desaparecer do mundo.
Chegando em casa com as compras coloco-as na cozinha, vou até meu jardim e me deito olhando para o céu e sua imensidão. Mechendo na terra com meu dedo indicador começo a cavar um buraco e fico a pensar na imensa profundidade que deve existir alí. Fico a pensar no dia de hoje e nas pessoas que avistei,imaginando o que se passa na cabeça de cada um. Diante da imensidão de problemas que vivemos pessoas ainda se importam com o que cada um se tornou, ao invés de se preocuparem com o que tem se tornado. Será que não dá para cada um viver no mesmo mundo cuidando de si e de quem precisa, aliás fico a me perguntar: estamos todos entre o céu e a terra, será que não podemos apenas viver ?

sábado, 20 de dezembro de 2008

Loucuras de amor

Remotando as lembranças em minha mente das noite de verão, fico a pensar nas loucuras que prometi fazer por você, sem ao menos me importar o que todos pensariam sobre mim, sobre você...sobre nós.
Loucuras são sempre loucuras, mas as de amor não são as mesmas, elas têm um toque de adrenalina, de paixão, de fogo, que nos tira toda a razão, e nos possuimos pela paixão que arde em nossa pele desejando um calor humano para trocar saliva, trocar suor, um toque, imaginando seu olhar, seu cheiro, nossas respirações ofegantes nos tirando o fôlego,acendendo um tesão insano e demasiado dentro de nós.
Então fico a deitar, olhando para o teto branco e vazio, igual à minha mente que está solta com minhas loucuras, loucas para se tornarem de amor por você.

(26/11/2008 - em viagem ao ES )

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Autorretrato

Já eram duas e quarenta e três da manhã, deitado fico a lembrar dos meus momentos. Eu odeio todas aquelas horas em que o medo me tomava, que a angústia me vinha à tona, que sentia olhares me perseguindo e as respirações ofegantes. Dos instantes que procurei minha própria sombra, mas a única coisa que me restou foi a escuridão da noite, a água do mar e sua brisa. Momentos que passava em frente ao espelho olhando para aqueles olhos fixamente e me perguntava se eu queria ser aquilo que tinha me tornado, eu odeio todas aquelas horas. Olhando para meu quarto lembro dos cantos que me aconchegaram, das noites que me encolhia coberto por lençois, das lágrimas já derramadas e dos livros já arremessados.
Em meu retrato encima do criado-mudo vejo traços de um pequeno caminho percorrido, mas que muito me ensinaram. Sei que minhas noites perdidas aos prantos me deram forças para hoje passar noites sorrindo com amigos, os dias sozinhos me deixaram com forças para estar rodeado de pessoas, e as tardes que passei em minha cama pensando nos amores mal resolvidos me fizeram amar mais.
Então levo comigo o aprendizado das horas que fraquejei, hoje sinto-me mais forte, deixo minhas lágrimas para aquele passado triste, já que não posso tocá-las mais. Levo em mim a felicidade verdadeira, porque sei que nunca senti isso antes, no espelho vejo sorrisos, em mim a adrenalina de viver vem à tona, abraços calorosos me perseguem e gargalhadas me sondam. Sei que odeio todas aquelas horas, mas elas não foram o bastante para mim, levarei elas comigo guardada, pois nos momentos que fraquejar novamente usarei-as para aprender mais uma vez e assim um dia direi para o mundo minhas lições e tornarei lições para outros, e por fim me presentearei com um autorretrato e colocarei na parede do meu quarto para toda vez olhar para tal e ver que os traços da minha vida jamais se limitarão aos tracos dos meus olhos, dos meus sorrisos, pois no meu último dia irei pôr um fim em tudo e saberei que aprendi o bastante para chegar até o meu fim.