segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Minha leoazinha


Parecia que não ia chegar mais, andava de um lado para o outro na porta de casa esperando o fiesta branco chegar, não via a hora de tê-la comigo e passar toda a tarde brincando. Olhei para o relógio e já eram duas horas da tarde, ficava mirando todos os carros que viravam a esquina, e, quando menos espero, vejo que um carro grande e branco estava se aproximando, era ela chegando. Meu coração pulava, sentia uma adrenalina inexplicável, ela então se mostrou mais ainda quando baixou o vidro do carro e ficou pendurada na janela gritando: “Mamý!” – era assim que me chamava. Descendo do carro, saiu correndo e pulou em meus braços, Tia Leige falou: “Agora você quem vai cuidar dessa pimentinha a tarde toda”, soltando um leve sorriso no final da fala, mas eu não me importei, era desse jeito que eu gostava dela. Entramos em casa, para não perder tempo, corri para trás do sofá e começou a brincadeira: ela com suas quatro patas vinha de mansinho, olhando sempre para cima como quem não queria nada, fingindo ser uma leoa calminha, mas quando menos esperava eu, o leão rei, soltava o primeiro rugido e atacava, logo ela saía correndo, mas voltava porque a brincadeira era divertida. Pela milésima vez ela vinha, eu atrás do sofá, ela à minha procura, sempre passando a patinha na juba que atrapalhava sua vista. De mansinho e com todo vapor ela vinha, mas eu contra-atacava e ela pulava de susto e felicidade. Somos cúmplices, igual ao Tom e Jerry, como gato e rato, é tanto amor e irmandade que não sei até onde isso vai parar.

Com aquele rostinho branco, o qual só as bochechas eram rosadas, e olhos cor de mel, ela não conseguia me enganar, pois passeávamos pela praça perto de casa e todos nos paravam, olhavam para ela e agraciavam: “tão linda, um anjinho”. A todo instante escutávamos os mesmos elogios, ela fingia ser tímida, mas adorava ser vista por todos, tornando-se cada vez mais exibida ao percorrer do caminho. Quando chegamos em casa fomos direto para o cozinha, e lá estava o nosso momento preferido: o lanche da tarde, o “pratinho” dela e o meu “pratão” lado a lado na mesa, e começamos a comer feito dois leões famintos. Ela acabou rapidamente, só que nunca estava satisfeita somente com o que era seu, logo corria e pulava no meu colo, eu me rendia ao seu encanto e deixava a comida de lado.

Acabamos de comer, subimos para o segundo andar onde tinha o computador e a TV, eu ia à frente e ela vinha atrás de mim, subindo os degraus devagarzinho, com todo cuidado possível. Sentei para usar o computador enquanto ela, deitada no sofá fingindo assistir televisão, pois estava doida para ficar no meu colo e apertar todos aqueles botões que ficam no teclado. De repente, para atiçar, coloco uma foto dela como proteção de tela do computador, não era para menos, com suas perninhas gordinhas ela dá um pulo do sofá e saiu correndo, veio até mim e disse: “é Nininha, não é Mamý?”, eu, com os olhos brilhando, respondo: “é sim, minha Nina, é sim”.

Era a hora do jantar e ela pergunta se comeríamos pizza de galinha, não pude rejeitar tal pedido e na mesma hora liguei para a pizzaria. Enquanto esperávamos a comida chegar brincávamos de massinha de modelar colorida onde toda a imaginação fluía. De repente ela pega um pedaço de uma massinha preta e coloca na bochecha e me diz: “Tenho um sinal igual à você.”, babei na hora, como tal criaturinha de apenas dois anos de idade e noventa e cinco centímetros fazia isso comigo? Dois minutos depois escutamos a buzina da moto que veio entregar a pizza e ela grita: “Chegô!”, fomos rapidamente apanhar a comida. Nem pegamos os pratos, comíamos com a mão assistindo televisão.

Trinta minutos se passaram, meus tios chegaram para buscar Marina e levá-la para casa, ela olhava para mim pedindo para ficar. Segurei-a em meus braços até o ultimo segundo antes de ir embora, abraçava-a como se fosse o último dia que eu a visse, mas sabia que não seria, até porque eu jamais faria isso comigo e com ela. Chegou a hora de ir, meus olhos encheram-se de lágrimas, em passos pequenos ela ia de mãos dadas com a mãe. Chegada na porta do carro ela gritou: “Tchau Mamý, amo você, um beijo”. Então não suportei, minha lágrima escorria e tinha diversos significados, os quais eu não conseguia definir exatamente, mas uma coisa eu sabia: Nina vai ser sempre minha leoazinha, o meu anjo e meu amor.

2 comentários:

  1. Ow minha gente, como uma criança pode ser a concretização da palavra felicidade não é? Lindo texto e essa leoazinha é uma devoradora do seu coração. rs
    Linda foto também.

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  2. esse texto me lembrou muito meu jeito de escrever, só que nós temos uma diferença marcante: você escreve coisas alegres, agradáveis, eu escrevo textos mais depressivos, reflexivos.

    Mas ainda acho nossa escrita parecida =]

    gostei do texto =]
    parabéns =]

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