quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Trem Bom


Olha o trem, chiu chiu
Ele vai partir, chiu chiu
A criançada, chiu chiu
Se divertir, chiu chiu

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Tic - Tac - Bum


Passa o tempo
Passa a noite
Chega a hora
Mas que hora?!
Já é a hora
de ir embora

Chegou o dia
Que alegria
O grande dia
Mas que folia
Pois é o dia
Que vou matar a saudade
E a dor que me corroia

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Minha leoazinha


Parecia que não ia chegar mais, andava de um lado para o outro na porta de casa esperando o fiesta branco chegar, não via a hora de tê-la comigo e passar toda a tarde brincando. Olhei para o relógio e já eram duas horas da tarde, ficava mirando todos os carros que viravam a esquina, e, quando menos espero, vejo que um carro grande e branco estava se aproximando, era ela chegando. Meu coração pulava, sentia uma adrenalina inexplicável, ela então se mostrou mais ainda quando baixou o vidro do carro e ficou pendurada na janela gritando: “Mamý!” – era assim que me chamava. Descendo do carro, saiu correndo e pulou em meus braços, Tia Leige falou: “Agora você quem vai cuidar dessa pimentinha a tarde toda”, soltando um leve sorriso no final da fala, mas eu não me importei, era desse jeito que eu gostava dela. Entramos em casa, para não perder tempo, corri para trás do sofá e começou a brincadeira: ela com suas quatro patas vinha de mansinho, olhando sempre para cima como quem não queria nada, fingindo ser uma leoa calminha, mas quando menos esperava eu, o leão rei, soltava o primeiro rugido e atacava, logo ela saía correndo, mas voltava porque a brincadeira era divertida. Pela milésima vez ela vinha, eu atrás do sofá, ela à minha procura, sempre passando a patinha na juba que atrapalhava sua vista. De mansinho e com todo vapor ela vinha, mas eu contra-atacava e ela pulava de susto e felicidade. Somos cúmplices, igual ao Tom e Jerry, como gato e rato, é tanto amor e irmandade que não sei até onde isso vai parar.

Com aquele rostinho branco, o qual só as bochechas eram rosadas, e olhos cor de mel, ela não conseguia me enganar, pois passeávamos pela praça perto de casa e todos nos paravam, olhavam para ela e agraciavam: “tão linda, um anjinho”. A todo instante escutávamos os mesmos elogios, ela fingia ser tímida, mas adorava ser vista por todos, tornando-se cada vez mais exibida ao percorrer do caminho. Quando chegamos em casa fomos direto para o cozinha, e lá estava o nosso momento preferido: o lanche da tarde, o “pratinho” dela e o meu “pratão” lado a lado na mesa, e começamos a comer feito dois leões famintos. Ela acabou rapidamente, só que nunca estava satisfeita somente com o que era seu, logo corria e pulava no meu colo, eu me rendia ao seu encanto e deixava a comida de lado.

Acabamos de comer, subimos para o segundo andar onde tinha o computador e a TV, eu ia à frente e ela vinha atrás de mim, subindo os degraus devagarzinho, com todo cuidado possível. Sentei para usar o computador enquanto ela, deitada no sofá fingindo assistir televisão, pois estava doida para ficar no meu colo e apertar todos aqueles botões que ficam no teclado. De repente, para atiçar, coloco uma foto dela como proteção de tela do computador, não era para menos, com suas perninhas gordinhas ela dá um pulo do sofá e saiu correndo, veio até mim e disse: “é Nininha, não é Mamý?”, eu, com os olhos brilhando, respondo: “é sim, minha Nina, é sim”.

Era a hora do jantar e ela pergunta se comeríamos pizza de galinha, não pude rejeitar tal pedido e na mesma hora liguei para a pizzaria. Enquanto esperávamos a comida chegar brincávamos de massinha de modelar colorida onde toda a imaginação fluía. De repente ela pega um pedaço de uma massinha preta e coloca na bochecha e me diz: “Tenho um sinal igual à você.”, babei na hora, como tal criaturinha de apenas dois anos de idade e noventa e cinco centímetros fazia isso comigo? Dois minutos depois escutamos a buzina da moto que veio entregar a pizza e ela grita: “Chegô!”, fomos rapidamente apanhar a comida. Nem pegamos os pratos, comíamos com a mão assistindo televisão.

Trinta minutos se passaram, meus tios chegaram para buscar Marina e levá-la para casa, ela olhava para mim pedindo para ficar. Segurei-a em meus braços até o ultimo segundo antes de ir embora, abraçava-a como se fosse o último dia que eu a visse, mas sabia que não seria, até porque eu jamais faria isso comigo e com ela. Chegou a hora de ir, meus olhos encheram-se de lágrimas, em passos pequenos ela ia de mãos dadas com a mãe. Chegada na porta do carro ela gritou: “Tchau Mamý, amo você, um beijo”. Então não suportei, minha lágrima escorria e tinha diversos significados, os quais eu não conseguia definir exatamente, mas uma coisa eu sabia: Nina vai ser sempre minha leoazinha, o meu anjo e meu amor.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Entre dois tempos


Levanto-me da cama, abro as cortinas e vejo o clarão do sol invadir a minha janela, sorrio para a margarida que acabara de nascer no jardim de casa. Desço as escadas como se nem estivesse tocando-as, num movimento flutuante. Olho o correi, vejo uma carta sem remetente, era você. Meus pés tocaram o chão, o céu escureceu, minha margarida murchou. Lembrei-me das noites em claro que escrevia para você, numa vontade de que você aparecesse. Estava tudo tão bem. Porque você fez isso? Agora, eu quero você. Para mostrar o quão perfeito é meu mundo. Mostrar-te o azul do céu, e as nuvens formando desenhos de corações, de elefantes. Agora eu quero você. Para poder roubar a margarida do jardim e presenteá-la com um sorriso dengoso. Agora eu quero você. Fico a ver esses filmes românticos, com desentendimentos, mas no final eles sempre voltam. Mas você não volta. Nunca chegou. O que você ta esperando? Agora eu quero você aqui. Subo as escadas, sentindo um forte peso em meus pés. Fecho as cortinas. Deito-me, e fico a escutar música, um momento de nostalgia, e minha alegria se torna fantasias, pequenas imagens de você se materializam em minha frente, eu me levantando, você vai me amando, e eu vou me deixando, numa batida que o só o coração entende, numa melodia que só o piano suaviza, num encontro em que só a língua entende.

12-04-2008

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Por favor, não jogue-o no lixo


Encostei-me em uma parede cheia de desenhos; olhei para um lado, olhei para o outro e não via meu irmão. Chorei, chorei como se tivesse perdido-o, mas ele só não havia ido para o colégio naquele dia porque estava com febre, mas mesmo assim chorava. Tinha cinco anos quando esse fato aconteceu, recordo-me como se tivesse sido ontem.Risadas, gritos de desavenças, choros de um abraço materializavam-se naquele dia em que eu percebi que um irmão; mais que isso, um cúmplice, não havia me acompanhado em mais um dia de escola. Meu nome é Sanmy, o do meu irmão é Suedney, eu tenho 18 anos, ele tem 15, juntos somos uma história e em nossos corações de irmãos levamos a amizade, fraternidade e companheirismo na esperança que isso nunca se acabe.

Quando pequeno reuníamos mamãe, titia - a irmã mais nova da minha mãe - e brincávamos compulsivamente a ponto de as horas passarem e eu ter conseguido a atenção delas somente para mim. Pensava eu que seria o único filho homem da casa, o último herdeiro de meus pais com todos os privilégios possíveis e impossíveis, não bastavam os brinquedos, as roupas e os sapatos, o que eu queria mesmo era o carinho e atenção de todos, tenho uma irmã mais velha chamada Shirley, tudo bem que eu já tinha uma irmã, mas eu era o homenzinho que tanto meu pai esperava, afinal, assim é a nossa cultura: viril é aquele que produz um varão para dar continuidade a sua descendência. Foi surpresa para mim, não me recordo da minha mãe grávida, só sei que no dia 18 de Fevereiro o inesperado acontece: vem ao mundo aquele que estava ameçando meu reinado que construí ao longo dos três anos, já estava sentindo que toda minha atenção passava a ter outro alvo, principalmente a da minha tia. Minha mãe chegou em casa com meu irmão, ele estava chorando muito, com ciúmes, falei: ”Joga esse menino no lixo mãe”.Naquele instante todos olharam para mim, riam loucamente e seus olhares diziam-me: ”Como ele é bonitinho”, “Que piada mais engraçadinha”, mas eu não estava muito disposto a aceitar aquele novo integrante. O tempo foi passando, e tive que começar a dividir todos os meus brinquedos, o pior: dividir os meus bonecos dos Cavaleiros do Zodíaco, para mim isso seria o fim, mas meu pai foi explicando que eu tinha que dividir; querendo ou não, tive que aceitar. Essa fase de divisão foi bem difícil, enquanto eu gostava de tudo no seu lugar, meu irmão não, olhava para ele com um ar de interrogação e ficava sem entender porque ele queria comer meus brinquedos, eu não tinha muita paciência e arrancava o brinquedo da sua boca, logo ele chorava e eu recebia a bronca. Senti-me por um tempo rejeitado, achava que eu estava sendo um problema, mas sabia que a culpa não era minha. Não sei como, mas acabei percebendo que meu irmão não sabia brincar, estava começando a aprender o mundo aqui fora e não sabia como funcionava o processo para cada brinquedo, eu estava aqui para ensiná-lo.

O tempo foi passando, ele já não tinha meses, e sim anos. Quando ele tinha dois anos de idade as coisas pareciam que estavam ficando mais fáceis, ele estava mais esperto, já conversava, mas gaguejava um pouco, porém eu finalmente conseguia entender o que ele falava. Estava ficando feliz, percebi que tinha um irmãozinho, e ele não berrava mais, ele brincava comigo, cantava comigo, fazíamos complô contra minha irmã e minha tia, entre outras coisas que crianças adoram fazer. Foi construindo-se uma amizade, uma cumplicidade até porque presenciávamos os constantes desentendimentos entre meu pai e meus tios. Com três anos de idade meu irmão foi pela primeira vez para o colégio, sentia-me tão orgulhoso e lembro-me como se tivesse sido ontem: por ele ser mais novo entrou na turma Maternalzinho I, cada um quando chegava guardava o material e a lancheira em um armário, quando davam dez e meia as crianças pegavam um tapete e se deitavam para tirar um cochilo até que seus pais chegassem para apanhá-los. Foi no dia que meu irmão estava com febre que eu me senti um inútil, como podia eu, o irmão homem mais velho deixá-lo em casa e ir para o colégio nesse momento tão difícil que ele estava passando, na hora da saída olhei para a sala dele e vi seus coleguinhas dormindo, e seu tapete estava vazio. Encostei-me onde tinha os desenhos do pato Donald e do Mickey, chorei tanto, senti tanta falta, logo uma funcionária da escola me perguntou o porquê de eu estar chorando, eu respondi: “Meu irmão está com febre e eu não posso fazer nada”, ela me explicou que minha mãe estava cuidando dele, dando os devidos remédios que o médico aconselhou.

Fomos crescendo, sempre com a diferença de três anos de idade, mas não parecia. Eu não parava de ensinar as coisas para ele, ele não se cansava de aprender as coisas comigo; eu criava, ele inovava; se eu choro, ele chora; quando eu sorria, ele também sorria. Recordo que no colegial, quando fiquei em recuperação pela primeira vez fui dizendo logo para ele: ”Isso você não deve aprender comigo, estude”, até hoje, graças a Deus ele não aprendeu isso. Fico vendo as fotos que ele fica tirando sozinho, como todo mundo faz, e é impressionante como ele faz as mesmas poses que eu faço. Não é falta de personalidade, é admiração; ele sente por mim e eu sinto por ele; tenho maior orgulho do mundo de tê-lo como irmão, e hoje vivo me perguntando: “Como pude mandar minha mãe jogar meu irmão no lixo?”.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

A lua, o mar e as lembranças.


Eu lembro que naquela noite que corri e te larguei no ponto de ônibus, meu coração palpitava com velocidade, olhava para os lados e a respiração enchia o meu peito até o último espaço vazio. Corria contra o medo, corria contra o tempo, contra o vento, diante daquelas ruas vagas, não desistia até então. Mas debaixo de uma árvore eu parei, já estava umas seis quadras de distância do seu ponto, o desejo de te ver pela última vez naquela noite foi inevitável, meus olhos tentavam te alcançar para gravar seu rosto antes de durmir, mas a busca foi em vão, você devia ter partido. Cheguei em casa, tirei a camisa suada, olhei para todos cômodos e a calmaria reinava. Parei de frente à pia do banheiro e lavei o rosto, olhei meu reflexo no espelho e encarei aquele rosto bobo e apaixonado, soltei um leve sorriso. Depois do banho fui para meu quarto, encostei-me na janela e olhei para a lua que parecia estar se banhando naquele mar frio. Eu encarava a lua, e em minha mente vinha a lembrança do seu sorriso, o brilho dos seus olhos, os seus movimentos, senti seu cheiro que se juntava ao meu depois dos nossos longos abraços, dos interminaveis beijos. É impossível te esquecer.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Maria, morena.


E dentre seus braços ela me deu calor
Seus olhos me rondavam do perigo
E nas noite que chorei ela trazia consigo abonança
ahhh...morena
ahhh...Maria
lembro dos teus traços, dos seus laços, dos seus movimentos e do balanço do seu véu quando escutavas a brisar passar e dançava ao compasso da melodia com a natureza
ahhh...morena
ahhh...Maria
Eu nasci só.
Hoje, mais uma vez, estou só.
Mas tive você, só você, para me preparar quando eu estivesse só mais uma vez.
Só você me salvou.
Só você me amou, e me ensinou a amar
ahh...Maria
ahh...morena
Você só não me ensinou a esquecer.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Casa no campo


Ainda terei uma casa no campo, para te livrar do mal da cidade, e deixarei com que a natureza se encarregue do nosso fim, pois assim saberei que o fim chegará no tempo certo. Então, enquanto estivermos vivos, meu bem, deixemos que a brisa refresque nossas tardes de verão aquecidas não pelo calor, mas sim por nossa paixão que arde e se adentra no nosso peito insanamente, e logo logo precisaremos de muita brisa, talvez até mesmo de um tornado, porque essa paixão arde, abraseia e nos consome de uma forma jamais vista, jamais sentida, e tão pouco tão desejada.