domingo, 11 de outubro de 2009

Maria


Eu lembro bem das minhas férias de verão que passava no interior. Vó Maria acordava cedo para alimentar as galinhas, preparava o café-da-manhã e depois que tudo estava pronto acordava eu e meu irmão. Às 8h a mesa já estava preparada e, depois do banho gelado no quintal e da barriga cheia do café, era a hora de ir para rua brincar com a molecada.
Vovó limpava a casa, ia à feira comprar guloseimas típicas do nordeste, regava suas plantinhas, conversava com o papagaio e com os visinhos. Ela sempre fazia de tudo para manter as ordens.
Lembro nas festas das cabacinhas (festa típica da cidade de Japaratuba), quando todos se reuniam na casa de Dona Maria, faziamos uma baderna: molhavamos tudo e a sala da entrada sempre estava melada de cera. Ela perdia a cabeça, mas nunca nos proibiu de brincar, apesar de sempre ser muito rigida.
Pois bem, agora me contenho a detalhar com palavras os momentos que vivi naquela pequena cidade, naquela pequena casa, com minha grande avó.
O que posso dizer sobre Maria? Ela foi uma grande mulher, uma grande pessoa, uma mãe e um pai para minhas tias, e uma mãe, avô, avó e amiga para mim. Tem quem diga da sua braveza e da sua rabugentisse, mas só recebia isso que não sabia trata-la com amor. Por que eu me lembro de todos os beijos que recebi, todos os elogios que escutei, dos sorrisos que arranquei daquele rostinho que não queria perder autoridade, e das lágrimas que a fiz derramar da saudade. Agora eu fico a me lembrar de todos esses dias, em minha mente passa um filme, e do meus olhos saem lágrimas. A única coisa que posso saber é que agora ela poderá me ouvir, de onde estiver, e se certificará do meu amor que sempre foi e sempre será enorme por ela.

Eu te amo vó, vá com Deus.

Um comentário:

  1. Lindo texto sanmy..os avós sao mesmo grandiosos e importantissimos na vida dos netos..sinto enorme falta dos meus..adorei o texto!

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